Toe: a versatilidade japonesa entre o math e post rock

Quarteto japonês retorna ao Brasil pra celebrar 25 anos de carreira

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German Martinez

8/18/20264 min read

O toe é um dos maiores expoentes mundos do math rock e do post-rock instrumental. Originário de Tóquio, o quarteto é aclamado globalmente pela capacidade única de injetar o dinamismo e a agressividade do hardcore em composições intrincadas, melódicas e profundamente emotivas.

Após 8 anos, a banda volta a tocar no Brasil, o grupo se apresenta em 2 datas no Cine Jóia, em São Paulo, com a primeira data, 17/09 esgotada e com ingressos disponíveis pra sexta-feira 18/09.

O toe nasceu no final de 2000, em Tóquio. Antes de adotarem o nome (que significa Theory of Everything ou "Teoria de Tudo"), parte dos integrantes tocava em uma banda de post-hardcore e screamo chamada Dove. Inspirados pelo som de bandas do midwest emo americano, como Ghosts and Vodka e Pele, os músicos decidiram mudar de rumo.

Eles abandonaram os vocais rasgados e focaram em arranjos limpos, tempos matemáticos quebrados e uma abordagem acústico-elétrica inovadora. Desde a sua fundação até hoje, a formação se mantém estritamente a mesma, com Kashikura Takashi (Bateria), Yamazaki Hirokazu (Guitarra acústica/violão), Mino Takaaki (Guitarra elétrica), Yamane Satoshi (Baixo).

Nos primeiros anos, o toe estabeleceu as bases do que viria a ser o math rock moderno, equilibrando a agressividade do pós-hardcore com melodias limpas e complexas. O trabalho de estréia, o EP Songs, Ideas We Forgot (2002), apresentou ao mundo a assinatura rítmica de Kashikura Takashi. Faixas totalmente instrumentais demonstraram técnicas de bateria extremamente rápidas e precisas combinadas com guitarras limpas.

Em 2005, nasceu The Book About My Idle Plot on a Vague Anxiety, considerado uma obra-prima do gênero, este primeiro álbum de estúdio redefiniu os limites do post-rock. O disco mistura a energia crua do hardcore com arranjos milimetricamente calculados, gerando clássicos eternos como "I Do Not Know" e "Path".

Nesta fase, a banda começou a expandir sua paleta sonora por meio de seu próprio selo independente, Machu Picchu Industrias, adicionando novos instrumentos e texturas vocais.

Em New Sentimentality (EP, 2006), deram um passo importante de transição onde o grupo introduziu elementos acústicos marcantes e inserções sutis de piano elétrico Rhodes.

For Long Tomorrow (2009): Um álbum mais caloroso e maduro que consolidou o uso de violões desplugados, pianos e vibrafones. Também trouxe as primeiras colaborações com vocais convidados e uma aproximação sutil com o Jazz e o R&B. A cantora japonesa Asako Toki: Participa na regravação da icônica música "Goodbye".

Mais um novo EP, The Future Is Now (2012): Lançado internacionalmente por selos renomados como o Topshelf Records, o EP foca em composições mais curtas, dinâmicas eletrônicas discretas e arranjos melódicos afiados.

O terceiro álbum completo Hear You, trouxe um direcionamento minimalista e cru. Com forte presença de pianos e influências rítmicas de hip-hop, o álbum dividiu opiniões por priorizar texturas e vocais mais do que os habituais e explosivos duelos de guitarra.

Após anos focados em turnês e projetos paralelos, o toe refinou seu som unindo o minimalismo tardio com a energia inicial. That's Another Story (Compilação, 2018): Reúne raridades, remixes e faixas espalhadas que ficaram fora dos álbuns oficiais, servindo como um excelente panorama alternativo da criatividade do grupo.

Our Latest Number (EP, 2018): Mostrou a banda afiada, misturando a precisão matemática do início da carreira com a calmaria melódica desenvolvida nos anos anteriores.

Now I See the Light (2024): Quebrando um hiato de nove anos sem álbuns completos, o quarto disco de estúdio funciona como uma ponte perfeita entre o abandono explosivo do passado e a contenção experimental do presente. O guitarrista Yamazaki Hirokazu assume vocais parciais em faixas como "Loneliness Will Shine" e a faixa-título, entregando uma produção cristalina, humana e profundamente autêntica.

Diferente da maioria das bandas de post-rock que apostam em crescendos lentos e climáticos, os shows do toe são conhecidos pela energia explosiva e catártica que lembra apresentações de punk/hardcore. Eles costumam tocar em formato "in the round" (com o palco no meio da pista e o público ao redor em 360 graus), o que torna a experiência visceral.

Os shows da banda costumam passar por montanhas-russas dinâmicas, geralmente começam com faixas dedilhadas e hipnóticas como "A Desert of Human" ou músicas mais recentes. O miolo do show é recheado de clássicos matemáticos urgentes como "Past and Language", "Tremolo + Delay" e "Two Moons. O ápice emocional quase sempre ocorre com "Goodbye", onde o público costuma cantar a melodia junto com as notas da guitarras. Costumam finalizar com a catarse rítmica de "The Long Tomorrow" ou "Path".

O grande destaque visual é o baterista Kashikura Takashi, cujo estilo une precisão cirúrgica a um sentimento expressivo brutal, parecendo travar uma batalha física contra o próprio instrumento.

O toe construiu uma base de fãs extremamente leal na América Latina. O ápice dessa relação ocorre em setembro de 2026, quando a banda desembarca no Brasil para celebrar os seus 25 anos de carreira através de uma turnê produzida pela Balaclava Records.

O show principal foi agendado para o dia 17 de setembro de 2026 no Cine Jóia, em São Paulo. Devido à altíssima demanda e ingressos esgotados rapidamente, uma data extra no dia 18 de setembro de 2026 foi aberta no mesmo local, consolidando o status cult e o impacto gigantesco do quarteto japonês em solo brasileiro.

Ingressos disponíveis:

https://ingresse.com/toe-sp/

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