Toody Cole: uma celebração à lua morta
Viúva de Fred Cole vêm ao Brasil pra uma única performance pra homenagear a obra que ultrapassa várias gerações do cenário alternativo
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German Martinez
6/28/20264 min read


Quando Fred Cole excursionava com sua banda The Weeds (que posteriormente mudaria pra Lollilop Shoppe), ele se apaixonou por uma garota que também gostava de um bom rock n' roll, ela era Kathleen Conner (Toody Cole), logo eles se tornariam um casal e acabaram formando bandas como The Range Rats, Rats e foi dessa vontade de tocar juntos novamente que surgiu uma nova banda, convidaram o amigo Andrew Loomis pra assumir as baquetas desta nova banda, que se chamaria Dead Moon.
Foi em 1987, em Portland, no estado do Oregon, que foi o pontapé inicial pro Dead Moon, conhecida pela sua natureza estonteante, casa do Portland Trail Blazers, na NBA, e cidade natal do Poison Idea e mais tarde veriam nascer bandas como o The Dandy Warhols. A cidade foi pano de fundo pro surgimento de uma pedra fundamental no rock n' roll mundial, tanto que dia 05 de outubro, é considerado o Dead Moon Night, em homenagem â banda.
O som era cru, despojado e garageiro até a medula, influenciados por bandas como The Sonics, The 13th Floor Elevators, do genial Roky Erikson, mas sem abandonar o lirismo de Bob Dylan, o balanço dos The Rolling Stones, Elvis Presley, e a atitude punk do The Wipers, Fred queria fazer tudo sozinho, levando ao pé da letra a estética do DIY, partindo desde o princípio de masterizar os próprios trabalhos, de forma totalmente independente eles produziam seu próprios discos, gravados de forma "Mono", pelas mãos do próprio Cole, e feitos á mão os discos de forma caseira porque Fred tinha uma prensa específica para vinis, desta forma eles criaram a Tombstone Records, que viabilizava seus registros. Dada como presente pela própria Toody, a prensa foi responsável pela obra de Louie Louie, do The Kingsmen.

O debut é uma obra prima do cenário garage, In The Graveyard, lançado em 1988, um ano depois da formação do grupo, demonstra a sonoridade que o trio estava construindo. A voz agonizante de Fred e Toody em certas canções caracterizam o estilo que eles vinham querendo ecoar pelos quatro cantos. A partir dali, eles serviram de inspiração pra muitas bandas que surgiriam depois.
Graças ao modo peculiar que eles gravavam os materiais de forma totalmente independente e analógica, eles chamaram atenção da gravadora alemã Music Maniac Records, que foi sua grande parceira na Europa, que realizou o lançamento de grande parte da sua obra no velho continente.
O disco seguinte, Unkown Passage, traz a clássica Dead Moon Night, que segue sua característica própria, som sujo, alternativo, bebendo fortemente do blues. Deste álbum podemos considerar grandes pérolas do rock alternativo, daí saem canções como Dead Moon Night e a selvagem 54/40 Or Fight, faixas que até hoje seguem no repertório do trio.
Defiance, de 1990, é considerado um dos melhores discos do grupo, com uma sonoridade mais polida mas sem jamais abandonar suas raízes, o Dead Moon caiu nas graças de todo um cenário órfão de bandas no estilo. A obra do Dead Moon já era contundente até mesmo com bandas contemporâneas, não á toa, bandas como Nirvana, Yo La Tengo, Pearl Jam, e o Superchunk, que chegou a lançar uma versão pra Fire In The Western World, sempre dedicavam elogios ao grupo.

Não somente independente na confecção de seus próprios discos, Fred desenvolvia seus próprios instrumentos, tanto que o clássico baixo Vox Teardrop usado por Toody é utilizado até hoje e é uma das suas marcas registradas.
Strange Pray Tell traz a bombástica Fire In The Western World, aliada à 13 Going On 21, e Going South, só pra citar algumas pérolas deste disco de 1992, em plena era grunge.
A banda tem mais de 10 discos de estúdio, além de vários registros ao vivo, vinis 7", como parte da sua discografia.

O ano de 2006 marca o lançamento documentário The Unkown Passage: The Dead Moon Story, que captura através de filmagens e depoimentos, e declara a importância da banda.
Produzido por Kate Fix e Jason Summers, o filme foi elogiado e neste mesmo ano, a banda lançou a coletânea Echoes Of Past, pra divulgar essa compilação fez uma turnê, e antes de completá-la a banda anunciou o fim das atividades.
Após o fim do Dead Moon, Fred e Toody Cole montaram o Pierced Arrows, junto de Kelly Halliburton, e Andrew foi tocar no The Shiny Things. Após algumas reuniões esporádicas eles resolveram colocar Kelly como baterista, logo depois disso, o membro fundador Andrew Loomis faleceria em 2016, vítima de um câncer, e um ano depois Fred também morreria vítima da mesma doença.

Após o baque da perda de seu marido e um de seus melhores amigos, Toody quis levar adiante o espólio do Dead Moon, excursionando por vários lugares pra espalhar as músicas do trio. Toody, atualmente com mais de 77 anos de idade, amparada pelos seus parceiros Kelly Halliburton, baterista que havia tocado no fim da banda, e Christopher March, conhecido por ser um dos integrantes do Jenny Don't and The Spurs, na guitarra, se apresentará no Brasil num show exclusivo no Cine Jóia, no dia 31/10, sábado.
Imperdível!!!


A produção é da Cecília Cultural
Ingressos disponíveis:

