Ty Segall: um artista em combustão

Músico californiano fará sua estréia no Brasil no mês de novembro

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German Martinez

7/17/20265 min read

Um dos maiores nomes do cenário alternativo na atualidade tem menos de 40 anos de idade, mais de 35 discos lançados em menos de 20 anos, e passeou por todos estilos que lhe deram na telha musicalmente. Pois bem, Ty Segall após o impacto de alguns discos que lhe renderam uma boa consideração no mercado musical, ele desembarca no Brasil pra sua primeira apresentação, o show corrobora o lançamento do seu mais novo título na sua coleção de discos, Chrome que sai no mês de agosto pra deleite dos seus fãs e adeptos.

Nascido em Laguna Beach, na Califórnia, e morando na praia, naturalmente ele pegaria gosto pelo surfe e posteriormente sua paixão seria a música, amando figuras como Black Sabbath, Led Zeppelin, Cream, Alice Cooper, David Bowie, Grateful Dead, T Rex, The Stooges, mas também chegou ao Punk, o Hardcore, o Hip Hop.

Na sua adolescência ele foi tocando por tudo que era lugar em bandas locais na região de San Francisco, ele fez parte do The Epsilons, que fazia algo entre o punk e o surf, e isso lhe trouxe cancha pra poder criar seu próprio som, em 2008, com 21 anos ele gravou o primeiro disco, com parceria com a Castle Face, algum tempo depois sua parceira seria Drag City, de Chicago.

É óbvio que a herança do The Epsilons lhe traria algo no DNA que remetesse à sua antiga banda, Ty seguiu pela estética do Garage Lo Fi, mas nesta empreitada ele assume todos os instrumentos levando o DIY ao pé da letra, em Lemons, seu álbum de estréia, ele também carrega suas influências de blues. Lovely One, Die Tonite e Like You demonstram o caminho que Ty queria trilhar.

Em 2010, ele lançou Melted, um disco que aspirava tons de psicodelia, uso sobrecarregado de efeitos, e letras delirantes, às comparações à Beck, logo se tornariam óbvias. Entre faixas como Bees, Caesar, Girlfriend e My Sunshine, ele percorria tudo que ele queria soar pro momento, inovador, barulhento e clássico ao mesmo tempo.

Twins, é uma explosão de energia, já realmente como um trio, Ty despeja grandes canções como: Thank God For Sinners, You're Doctor, e Love Fuzz, algumas delas ainda fazem parte do seu setlist atual.

Ty era sedento de experimentação naquele momento ele já tinha cerca de 10 trabalhos lançados quando ele lançou Sleeper, um álbum totalmente dedicado á violões, de forma acústica ele quis exprimir suas melodias de forma única neste trabalho, inspirado por Pink Floyd, The Beatles, The Flying Burrito Brothers.

Quem não sentiu um nó na garganta e um alegria ao ouvir a massa sonora de Feel, uma das canções de Manipulator, uma das suas obras primas. O disco ápice pra muitos de Ty, é uma fusão perfeita entre o lado clássico e rock n' roll cru, sem firulas. Recheado de canções crocantes, que elevam o espírito Rock N'Roll, Ty soube muito bem administrar lirismo, peso e melodias açucaradas. Esse álbum seria obrigatório pra conhecer a obra do californiano, há que destacar as belíssimas faixas The Clock, The Crawler, It"s Over, Mister Main, Stick Around.

Em 2015, ele teve tempo de lançar um disco em homenagem á um dos seus maiores ídolos, Marc Bolan do T. Rex, intitulado de Ty Rex, pegou Buick Mackane, Elemental Child e jogou no liquidificador uma versão destruidora de 20th Century Boy. Botando todo o Glam Rock do T Rex num coquetel sônico de garagem.

Em 2017 era hora do homônimo disco, ele procurou Steve Albini, juntou uma banda da pesada, e resgatou a pegada Garage Lo Fi como no começo, com mais camadas, mais peso, sem deixar de lado as belas melodias que ele estava acostumado a criar. O disco foi muito bem recebido e alcançou o Top 200 da Billboard. Nele aparecem a brilhante Break A Guitar, acompanhada de seu videoclipe tresloucado, fazendo cama pra epopéia brutal de Warm Hands, uma faixa com mais de 10 minutos de duração, sem esquecer do blues envenenado de The Only One ou a alucinante Thank You Mr. K, e a balada Orange Colour Queen, dedicada á sua namorada Denée.

De Freedom Goblin saiu uma das faixas que Ty costuma encerrar seus shows, My Lady's On Fire, uma de suas maiores canções. Sem contar a presença da imponente She, que facilmente poderia ter sido feita pelo Hawkind, pesada, saturada, com riffs sacanas de guitarra, uma verdadeira obra prima contemporânea. A conversa com os sintetizadores em Despoiler Of Cadaver, provam o lado experimental em cada disco de Ty.

Assim como Neil Young tinha o Crazy Horse, a sua maravilhosa banda que de apoio não tinha nada, Ty também montou o seu combo, a Freedom Band. Lançando discos como o Deforming Lobes, e se apresentando em programas icônicos como na rádio KEXP.

Num mundo entregue à pandemia do COVID-19, Ty Segall seguiu linear à sua proposta de lançar álbuns, em 2021, ele se viu soterrado por sintetizadores Yamaha ou Minimoog, e não tardou pra abusar deles de forma inacreditável em Harmonizer, fazendo do disco uma viagem eletrônica e atemporal. Whisper, Erased, Waxman, são algumas pérolas do disco, acrescentado da participação de sua namorada Denée em Feel Good.

No início de 2024, uma de suas maiores paixões, que é a bateria, ele conseguiu traduzir isso num álbum experimental, Love Rudiments, retrata sua viagem lisérgica pelo instrumento, em 4 viagens transcendentais

E como nós gostamos de videoclipes, coisa que o Ty também gosta, ele não poupa registros audiovisuais, como em Break A Guitar, Eggman, Feel Good, Buildings, The Singer, Thank God For The Sinners. Grande parte deste trabalho feito com Matt Yoka, amigo de longa data que sempre ampara visualmente as idéias de Ty.

O ano de 2025 viria com o maravilhoso Possession, uma ode ao folk enraizado na mente de Ty, melodias cantaroláveis, guitarras que fazem contraste com uma cozinha afiada Um disco totalmente necessário na discografia de Ty, a faixa título, carrega consigo o brilho de Fantastic Tomb, Shining, ou Hotel, pianos, batera, a influência vem dos The Beatles, mas não podemos deixar de citar que em algum momento Van Morrison, Nick Drake e Jeff Buckley conversam com esse trabalho de Ty.

Chrome já tem data pra sair, dia 28/08, ele já antecipou 2 faixas do novo trabalho, sendo elas : Runnning To Nowhere, pesadíssima ao bom estilo de Manipulator, baixo saturado e bateria, num vocal desesperado de Ty. Black Paint traz um peso peculiar mas sem deixar de lado uma melodia ensolarada.

Ty nunca achou o bastante fazer seus projetos como solista, e também expandiu sua sonoridade em bandas como Fuzz e Goggs, que lançaram belíssimos discos.

Desta vez o californiano traz ao país um pouco da sua obra contemporânea, que há um longo tempo vem agraciando os ouvidos dos bons amantes de música.

Após a vinda do Bikini Kill & Dale Crover, a Associação Cultural Cecília, a produtora responsável segue priorizando shows diferenciados pra capital paulista. Um show imperdível!

Ty Segall / Ema Stoned / Bike

Audio Club

Av. Francisco Matarazzo, 694

Água Branca

São Paulo - SP

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